segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Xangai, melhor colocada no PISA

Veja porque Xangai tem o melhor desempenho em educação do mundo

Com 20 milhões de habitantes, a província de Xangai, na China, até parece um país. Melhor colocada em todo mundo no PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos, que avalia a qualidade da educação em cada país por meio do desempenho dos estudantes), Xangai tem liberdade para inovar e adaptar as rígidas regras do governo chinês e oferece uma educação de qualidade excepcional para os estudantes, inclusive os migrantes.
Cofira neste episódio (na íntegra no vídeo abaixo), estudantes nota 10, pais exigentes e professores qualificados. Em Xangai, a dedicação ao ensino é levada tão a sério que o Estado teve que criar leis para limitar as horas de estudo em casa. Tanto esforço tem bases históricas e culturais, principalmente na ênfase da educação como mecanismo de ascensão social ao longo da história.

domingo, 20 de março de 2011

Kadafi e as potências ocidentais - Frei Betto



As potências ocidentais, lideradas pelos EUA, botam a boca no trombone em defesa dos direitos humanos na Líbia. E as ocupações genocidas do Iraque e do Afeganistão? Quem dobra os sinos por um milhão de mortos no Iraque? Quem conduz à Corte Internacional de Justiça da ONU os assassinos confessos no Afeganistão, os responsáveis por crimes de lesa-humanidade? Por que o Conselho de Segurança da ONU não diz uma palavra contra os massacres praticados contra os povos iraquiano, afegão e palestino?
O interesse dos EUA e da União Europeia não é a defesa dos direitos humanos na Líbia. É assegurar o controle de um território que produz 1,7 milhão de barris de petróleo por dia, dos quais depende a energia de países como Itália, Portugal, Áustria e Irlanda.
O caso do Iraque é exemplar: os EUA inventaram as jamais encontradas “armas de destruição em massa” de Saddam Hussein para exercer o controle sobre um país que é o segundo maior produtor mundial de petróleo – 2,11 milhões de barris por dia, só superado pela Arábia Saudita. E possui uma reserva calculada em 115 bilhões de barris. Soma-se a essa riqueza o fato de ocupar uma posição geográfica estratégica, já que faz fronteiras com Arábia Saudita, Irã, Jordânia, Kweit, Síria e Turquia.
No dia 20, completam-se oito anos que os EUA e parceiros invadiram o Iraque sob o pretexto de “estabelecer a democracia”. O governo de Maliki está longe do que possa ser considerado uma democracia. Em fevereiro último, milhares de iraquianos foram às ruas para reivindicar trabalho, pão, eletricidade e água potável. O Exército os reprimiu brutalmente, com mortes, detenções arbitrárias e sequestro de ativistas. Nenhuma potência mundial clamou em favor do direitos humanos nem sugeriu que Maliki responda perante tribunais internacionais.
A ONU é, hoje, lamentavelmente, uma instituição desacreditada. Os EUA a utilizam para aprovar resoluções que justifiquem seu papel de polícia global a serviço de um sistema injusto e excludente. Quando a ONU aprova resoluções que contrariam a Casa Branca – como a condenação do bloqueio a Cuba e da opressão dos palestinos – ela simplesmente faz ouvidos moucos.
Kadafi está no poder desde 1969. São 42 anos de ditadura. Por que os EUA e a União Europeia jamais falaram em derrubá-lo? Porque, apesar de seus atentados terroristas, era conveniente manter ali um déspota que atraía investimentos estrangeiros e impedia que chegassem à Europa os imigrantes ilegais da África subsaariana, ou seja, todos os países ao Sul do deserto de Saara.
Agora que o povo líbio clama por liberdade, os EUA ocupam posições estratégicas no Mediterrâneo. Barcos anfíbios, aviões e helicópteros são transportados pelos navios de guerra US Ponce e US Kearsarge. A União Europeia, por sua vez, não está preocupada com a democracia na Líbia, e sim em evitar que milhares de refugiados desembarquem em seus países, combalidos pela crise financeira.
Temem ainda que a onda libertária que assola os países árabes, produtores de petróleo, eleve o preço do produto, onerando ainda mais as potências ocidentais, que lutam com dificuldade para vencer a crise do sistema capitalista.
Fala-se em estabelecer uma “zona de exclusão aérea” na Líbia. Isso significa bombardear os aeroportos do país e todas as aeronaves ali estacionadas. E exige o envio de porta-aviões à costa africana. Em suma: uma nova frente de guerra.
O fato é que a Casa Branca foi surpreendida pelo movimento libertário no mundo árabe e, agora, não sabe como proceder. Era mais cômodo prosseguir cúmplice dos regimes autoritários em troca de fontes de energia, como gás e petróleo. Mas como opor-se ao clamor por democracia e evitar o risco de o governo de tais países cair em mãos de fundamentalistas?
Kadafi chegou ao poder com amplo apoio popular ao derrubar o regime tirânico do rei Idris, em 1969. Mordido pela mosca azul, com o tempo esqueceu todas as promessas libertárias que fizera. Em 1974, valendo-se da recessão mundial, expulsou as empresas ocidentais, expropriou propriedades estrangeiras, e promoveu uma série de reformas progressistas que fizeram melhorar a qualidade de vida dos líbios.
Finda a União Soviética, a partir de 1993 Kadafi deu boas-vindas aos investimentos estrangeiros. Depois da queda de Saddam, temendo ser a bola da vez, assinou acordos para erradicar armas de destruição em massa e indenizou vítimas de seus atentados terroristas. Tornou-se feroz caçador de Osama Bin Laden. Pediu ingresso no FMI, criou zonas especiais de livre comércio, abriu o país às transnacionais do petróleo e eliminou os subsídios aos produtos alimentícios de primeira necessidade. Iniciou o processo de privatização da economia, o que fez o desemprego aumentar cerca de 30% e agravar a desigualdade social.
Kadafi mereceu elogios de Tony Blair, Berlusconi, Sarkozy e Zapatero. Como ao Ocidente, desagradou-lhe a derrubada dos governos tirânicos da Tunísia e do Egito. Agora, atira contra um povo desarmado que aspira vê-lo fora do poder.
Para as potências ocidentais, Kadafi se tornou uma carta fora do baralho. O problema, agora, é como derrubá-lo de fato sem abrir uma nova frente de guerra e tornar a Líbia um “protetorado” sob controle da Casa Branca. Se Kadafi resistir, Bin Laden pode ganhar mais um aliado ou, no mínimo, um concorrente em matéria de ameaças terroristas.
O discurso do Ocidente é a democracia. O interesse, o petróleo. E para o capitalismo, só isso interessa: privatizar as fontes de riqueza. Enquanto a lógica do capital predominar sobre a da liberdade, o Ocidente jamais conhecerá verdadeiras democracias, aquelas nas quais a maioria do povo decide os destinos da nação.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Parcerias

Parcerias que funcionam

Unir-se a comunidade, empresas privadas e públicas, ONGs e universidades ajuda a escola na missão de ensinar. Saiba o que é preciso fazer antes, durante e depois das parceiras

Gustavo Heidrich (gestao@atleitor.com.br)
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=== PARTE 1 ====
Para montar um quebra-cabeças, é preciso achar a posição exata para que peças de diferentes formatos se encaixem. O esforço exige raciocínio, paciência e uma visão do todo para chegar ao resultado pretendido. Uma escola que busca parceiros para garantir que todos os alunos aprendam também tem de descobrir os pontos de encaixe que levem ao aperfeiçoamento da sua rede de ensino e aprendizagem. "Antes de tudo, a primeira parceria é entre o gestor e suas equipes. Todos têm de estar em sintonia quanto aos propósitos e objetivos da escola", afirma Maria das Graças Fernandes Branco, supervisora de ensino e mestre em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Essa organização interna e convergência de intenções materializa-se no projeto político-pedagógico (PPP). "Na elaboração coletiva desse documento, a equipe prevê as ações institucionais e pedagógicas e em que pontos as parcerias podem ajudar e como", explica Sálua Guimarães, orientadora pedagógica e mestre em Educação pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), na Argentina.

Com isso, a escola está preparada para montar seu quebra-cabeças com base nas peças disponíveis no entorno. Nesta reportagem, você vai conhecer os princípios das parcerias eficazes e como extrair o melhor delas. Vai, ainda, ler as experiências de cinco escolas que tiveram êxito ao aproximar-se da sua comunidade, de empresas públicas e privadas, das universidades e de organizações não governamentais (ONGs).

sábado, 22 de janeiro de 2011

Entremédiuns 2011

O que é kumbaya

Por Laura Martins


Na abertura do Entremédiuns 2011, em 29/4, o conferencista, autor e médium José Medrado realizará um trabalho que pouca gente conhece. Trata-se do kumbaya.

Nós, da equipe deste blog, também não sabíamos do que se tratava. Achávamos que era uma espécie de culto de louvor. Então, fomos perguntar a Mônica Almeida, que é Diretora-Secretária da Cidade da Luz. Ela, sempre tão simpática e acessível, nos encaminhou as informações que compartilhamos com você.

O termo kumbaya foi tomado emprestado de um spiritual. Clique no título da bela canção para ser redirecionado ao YouTube, onde poderá ouvi-la e se beneficiar de toda a energia de esperança que ela emana:


Kumbaya my Lord, kumbaya
Kumbaya my Lord, kumbaya
Kumbaya my Lord, kumbaya
Oh Lord, kumbaya




As letras dos spirituals estão diretamente ligadas à experiência da escravidão negra nos Estados Unidos. A música atuava como fonte de força, esperança e coragem para os escravos enfrentarem seu quotidiano árduo e injusto. A língua era um dialeto negro, usado pelas tribos para se comunicarem entre si.

Um spiritual é cantado para doar à comunidade uma música que faça sentido para ela e possa revigorá-la; para inspirar aquele que necessita de ajuda; para invocar o sentido da união em um mundo tão confuso e desafiador.

A palavra kumbaya representa um chamado a Deus, um pedido de ajuda: Deus, venha aqui! Poderia ser traduzida literalmente como venha por aqui. A canção Kumbaya my lord é universalmente famosa, tendo sido transformada em um ícone cultural. 

Medrado realiza o kumbaya mensalmente na Cidade da Luz, evocando a presença dos bons espíritos e rogando a luz de Deus para os presentes, para o mundo, enfim. No vídeo abaixo, que mostra o kumbaya realizado este ano pelo médium, você poderá ter uma noção da forte e tocante experiência que vai viver no Entremédiuns 2011. Esperamos que você não fique fora desta! Nos encontramos lá...

sábado, 25 de dezembro de 2010

Natal

Natal..renovação...renascimento...!


Natal, data importante , celebração, encontro com a família e pessoas a quem amamos. Ceia, oração, vinho, sorrisos, música de qualidade, bate papos agradáveis. Assim é o natal  na casa de matriarca Vera Ribeiro, mãezinha amada por todos os filhos.
Há muitos anos nos reunimos na casa de nossa matriarca a fim de poder curtir a família e juntos refletirmos sobre a vida. Sem formalidade, mas com muita alegria, troca de presentes, beijos  e  abraços.
Fala-se da importância do natal como momento de reflexão sobre a vida e redirecionamento de nossos planos. Sem dúvida é fundamental esse aspecto, entretanto antes de mais nada, acredito que curtir a família, brincar, divertir, sentir o irmão ao seu lado, a felicidade de sua mãe pelo fato de estar ao lado de seus filhos, noras e genro me faz pensar que uma verdadeira reflexão nesta data só é possível quando se  compartilha com aqueles que você ama o brilho e a satisfação do encontro inenarrável entre aqueles que compõem mais uma célula familiar. Jesus se faz presente sempre em nossas vidas, todavia a sua luz se intensifica quando percebemos com amor cada pessoa de sua família na noite natal. Seja através da presença física ou espiritual. Sentir e agradecer pela vida de cada uma de nós, demonstra o quanto estamos dispostos a fazer de nossas reflexões um renascer para a vida.
Agradeço a Deus, Jesus , minha mãe, meu pai, minha esposa e meus irmãos por dividirem comigo mais uma noite de natal abençoada.


Amo vcs, Feliz natal!


Warney

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Inclusão

Alunos surdos cantam, dançam e interpretam na aula de Arte

Trabalhar música, dança e teatro com alunos surdos ainda é raridade. Conheça três exemplos de professores que fazem isso com qualidade

Camila Monroe (camila.monroe@abril.com.br). Colaborou Beatriz Vichessi, de Goiânia
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TEATRO INCLUSIVO
Na EM Severino Travi, alunos ouvintes e surdos exibem-se em palcos de festivais e outras escolas. Foto: Tamires Kopp
TEATRO INCLUSIVO Na EM Severino Travi, alunos ouvintes e surdos exibem-se em palcos de festivais e outras escolas
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Fórum sobre inclusão com Rossana Ramos
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REPORTAGENS
Há muito tempo, se fala em inclusão de crianças com deficiência nas escolas. Cenas como a da foto acima, porém, continuam sendo raras. Trata-se de um grupo de teatro escolar que mistura alunos deficientes auditivos com ouvintes. Na EM Severino Travi, em Canela, a 122 quilômetros de Porto Alegre, as atividades de Arte integram normalmente os surdos. A trupe teatral já participou de vários festivais, ganhou prêmios e sempre é muito aplaudida. Além disso, a garotada tem uma fanfarra - e todos concordam que o contato com as diferentes expressões artísticas ajuda a turma também nas outras disciplinas, sem falar na integração entre os alunos. A Severino Travi, no entanto, ainda é exceção.

Mas, ainda que o número de surdos matriculados em escolas regulares venha aumentando (só nos últimos dois anos, o crescimento foi de 21%, segundo o Censo Escolar), os próprios especialistas têm dificuldades em indicar boas experiências de ensino de Arte que incluam esse público específico. Para produzir esta reportagem, por exemplo, NOVA ESCOLA entrou em contato com todas as Secretarias estaduais de Educação e com dezenas de municipais. Nenhuma delas conhecia boas escolas para indicar.

Felizmente, há (sim) professores desenvolvendo bons trabalhos de Arte que incluem crianças e jovens que sofrem, em algum grau, com a deficiência auditiva. E, como acontece com as outras disciplinas, os resultados são sempre muito animadores. Os surdos estão mais habituados a gesticular e perceber emoções nos outros. Por isso, quando convocados a se expressar por meio de caras, bocas e movimentos do corpo, eles tiram de letra. "Para aproveitar melhor essa habilidade, é essencial explorar linguagens diferentes", diz Daniela Alonso, especialista em inclusão e selecionadora do Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10. "Para ficar no exemplo do teatro, é possível montar um espetáculo falado na Linguagem Brasileira de Sinais (libras), trabalhar com mímica ou mesmo criar personagens que não falam, mas interagem com os outros."

Basta lembrar que, antes de surgir a tecnologia que permitiu criar filmes falados, todo mundo entendia o cinema mudo. Nas artes visuais, a audição não costuma ser o sentido mais importante. E muita gente sabe que, para dançar, basta sentir a vibração da música (e não é preciso ouvir para sentir essa vibração). Nesta reportagem, você vai conhecer as histórias de três escolas que desenvolvem projetos de qualidade que incluem jovens surdos em atividades de teatro, dança e música. Afinal, como escreveu o russo Leon Tolstói (1828-1910), a Arte é mesmo "um dos meios que unem os homens".

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Educação do Espírito

Espiritismo e Educação

Dora Incontri
Pós-doutoranda FEUSP

O espiritismo, segundo Allan Kardec, pretende ser ao mesmo tempo uma ciência, que demonstra através do estudo empírico dos fenômenos mediúnicos a existência dos espíritos e sua atuação sobre o mundo; uma filosofia, que propõe uma cosmovisão evolucionista e reencarnacionista; e uma religião, sem dogmas, rituais e sacerdócio organizado, que faz uma releitura do cristianismo e prega uma prática religiosa centrada na moral e na ligação direta do homem com Deus.
Para além dessas três dimensões, porém, ou como resultante de todas elas, o espiritismo tem um caráter eminentemente pedagógico. [1] Não só porque seu fundador, Hippolyte Léon Denizard Rivail (1804-1869), depois Allan Kardec, tenha sido um grande educador francês, seguidor da proposta de Pestalozzi, seu mestre. Mas porque o cerne da filosofia espírita é uma proposta de educação do espírito.