O presidente de uma empresa, às 9h30 da manhã, informa ao diretor que precisa fazer uma viagem de urgência no mesmo dia, depois da reunião com os acionistas que está acabando de começar. Para isso, ao meio dia, ele precisará de um esquema especial de transporte para o aeroporto. A reunião de São Paulo (onde ele está) terminará ao meio-dia e a de Brasília começará às 16 horas, impreterivelmente. A perda do prazo significará jogar fora um ano de trabalho e muito prejuízo. O diretor garante ao presidente que tudo estará providenciado.
O diretor se reúne com o gerente administrativo e determina que o carro da empresa deve pegar o presidente na porta ao meio-dia, mas deverá ficar no local a partir das 11 horas. O gerente administrativo garante ao diretor que tudo será providenciado. O gerente, às 10 horas, fala para o chefe da segurança convocar o motorista para se apresentar na presidência às 10h45. O chefe de segurança se compromete a ir imediatamente para a garagem convocar o motorista.
Às 10h15, o supervisor da garagem é informado que o “Zelito” (motorista da presidência) deve comparecer com urgência na presidência. O supervisor informa ao chefe de segurança que o Zelito tinha ido tomar um café na padaria e que voltaria em 15 minutos. 0 chefe de segurança reforça a urgência com o supervisor de garagem, liga para a secretária do presidente informando que o Zelito já estava “subindo” e vai continuar seus afazeres.
Ao meio-dia e 15, o presidente, sozinho no meio da rua, resolve chamar um táxi porque o motorista não aparecia. Às 12h27 o inatingível táxi se aproxima do presidente desesperado. Às 12:45 o motorista de táxi, plenamente convencido da urgência que a corrida merecia, incorporou o espírito de Schumacher e abandonou o pé direito no fundo do acelerador. Dentro de um táxi em zigue-zague, ultrapassando cretinos retardatários, o cauteloso presidente só pensava em esganar o motorista ou o diretor.
A chance de pegar o avião, apesar de pequena, ainda existia. O táxi tinha saído 27 minutos depois do tempo previsto (que já estava no limite). O presidente mentalizou com todos os seus poros encharcados para o vôo atrasar. Às 13:10 a esperança do atraso no vôo foi soterrada pelo gentil sorriso “aeromôcico” acompanhando a noticia de que o mesmo havia decolado no horário. Às 14:00 horas o presidente está em reunião de diretoria tentando apurar responsabilidades e reverter o problema em Brasília.
Às 15 horas foi instaurado um inquérito administrativo e todos os envolvidos foram chamados a prestar informações a uma comissão integrada por gerentes e diretores. Na sua opinião, de quem era a responsabilidade? Do diretor? Do gerente? Do chefe de segurança? Do supervisor? Do motorista? Quem deveria ser demitido? O presidente queria a resposta naquele mesmo dia. Ou seja, o infeliz culpado vai perder o emprego.
Resultado da apuração: o supervisor de garagem informou que o Zelito só chegou do café as 13 horas e, portanto, ele não podia chegar ao meio dia a tempo de levar o presidente. Ao ser interpelado, o motorista se explicou que as 10h45 ele foi tomar café na padaria e, no caminho, foi assaltado. A polícia foi chamada e prendeu o assaltante. O motorista teve que ser conduzido para a delegacia do bairro onde precisava fazer o boletim de ocorrência e a identificação do ladrão.
O que, inicialmente, segundo o policial, deveria demorar “uns 15 minutos na delegacia”, demorou 2 horas. Quando o Zelito chegou, o supervisor avisou que ele deveria ir urgente se apresentar na presidência. Nesse momento já eram 13 horas e o problema já havia acontecido.
Esse tipo de coisa acontece, muitas vezes, em todas as empresas e com uma recorrência inaceitável. Umas demitem o diretor. Outras demitem o motorista. Poderia se demitir o supervisor de garagem ou todos eles. Em muitas empresas haveria uma carta de advertência exemplar. Em outras o erro seria discutido para avaliação.
O grande responsável por tudo isso é o modelo de sistema que foi construído. Um sistema onde tudo esta aprisionado em tudo. Um exemplo como esse mostra os caminhos que o problema trilhou e o quanto ele foi sendo “traduzido”.
No intuito professoral de liderar, orientar ou ensinar, acabamos apenas “traduzindo” e fazendo com que os nossos liderados sejam poupados de entender o todo. Do ponto em que o presidente “precisava se locomover com velocidade ate o aeroporto” até o supervisor de garagem receber o recado que o “Zelito precisava se apresentar com urgência na presidência” houve uma seqüência de traduções que impediu a todos de contribuir para transportar o presidente. O problema foi sendo traduzido à medida em que descia a ladeira da hierarquia.
Todos deveriam compreender que o foco no problema seria o transporte do presidente. Transportar o presidente é um evento que pode ser desenvolvido de varias maneiras, Uma das opções pode ate ser o motorista da empresa.
Os nossos líderes, inadvertidamente se vêm fazendo papel de dubladores de subordinados ou programadores de humarionetes. Se eles se tocassem da desnecessariedade de traduzir problemas, este tipo de cenário seria outro. Esse presidente jamais dependeria do motorista sem ter desenvolvido pelo menos um “plano B”: poderiam deixar um táxi de sobreaviso, deixar outras pessoas de carro ligado, prontos para sair do local direto para o aeroporto, alugar um helicóptero, conseguir um jatinho, terminar a reunião mais cedo e continuar dentro do carro a caminho do aeroporto etc.
É preciso escalar os detalhes para poder observar o todo. É preciso conhecer os detalhes dos detalhes e os objetivos de cada ação. O mundo empresarial sofre mudanças. Se as pessoas identificarem e construírem seus futuros, o mundo muda. Se o seu mundo mudar, o resto do mundo muda.
O diretor se reúne com o gerente administrativo e determina que o carro da empresa deve pegar o presidente na porta ao meio-dia, mas deverá ficar no local a partir das 11 horas. O gerente administrativo garante ao diretor que tudo será providenciado. O gerente, às 10 horas, fala para o chefe da segurança convocar o motorista para se apresentar na presidência às 10h45. O chefe de segurança se compromete a ir imediatamente para a garagem convocar o motorista.
Às 10h15, o supervisor da garagem é informado que o “Zelito” (motorista da presidência) deve comparecer com urgência na presidência. O supervisor informa ao chefe de segurança que o Zelito tinha ido tomar um café na padaria e que voltaria em 15 minutos. 0 chefe de segurança reforça a urgência com o supervisor de garagem, liga para a secretária do presidente informando que o Zelito já estava “subindo” e vai continuar seus afazeres.
Ao meio-dia e 15, o presidente, sozinho no meio da rua, resolve chamar um táxi porque o motorista não aparecia. Às 12h27 o inatingível táxi se aproxima do presidente desesperado. Às 12:45 o motorista de táxi, plenamente convencido da urgência que a corrida merecia, incorporou o espírito de Schumacher e abandonou o pé direito no fundo do acelerador. Dentro de um táxi em zigue-zague, ultrapassando cretinos retardatários, o cauteloso presidente só pensava em esganar o motorista ou o diretor.
A chance de pegar o avião, apesar de pequena, ainda existia. O táxi tinha saído 27 minutos depois do tempo previsto (que já estava no limite). O presidente mentalizou com todos os seus poros encharcados para o vôo atrasar. Às 13:10 a esperança do atraso no vôo foi soterrada pelo gentil sorriso “aeromôcico” acompanhando a noticia de que o mesmo havia decolado no horário. Às 14:00 horas o presidente está em reunião de diretoria tentando apurar responsabilidades e reverter o problema em Brasília.
Às 15 horas foi instaurado um inquérito administrativo e todos os envolvidos foram chamados a prestar informações a uma comissão integrada por gerentes e diretores. Na sua opinião, de quem era a responsabilidade? Do diretor? Do gerente? Do chefe de segurança? Do supervisor? Do motorista? Quem deveria ser demitido? O presidente queria a resposta naquele mesmo dia. Ou seja, o infeliz culpado vai perder o emprego.
Resultado da apuração: o supervisor de garagem informou que o Zelito só chegou do café as 13 horas e, portanto, ele não podia chegar ao meio dia a tempo de levar o presidente. Ao ser interpelado, o motorista se explicou que as 10h45 ele foi tomar café na padaria e, no caminho, foi assaltado. A polícia foi chamada e prendeu o assaltante. O motorista teve que ser conduzido para a delegacia do bairro onde precisava fazer o boletim de ocorrência e a identificação do ladrão.
O que, inicialmente, segundo o policial, deveria demorar “uns 15 minutos na delegacia”, demorou 2 horas. Quando o Zelito chegou, o supervisor avisou que ele deveria ir urgente se apresentar na presidência. Nesse momento já eram 13 horas e o problema já havia acontecido.
Esse tipo de coisa acontece, muitas vezes, em todas as empresas e com uma recorrência inaceitável. Umas demitem o diretor. Outras demitem o motorista. Poderia se demitir o supervisor de garagem ou todos eles. Em muitas empresas haveria uma carta de advertência exemplar. Em outras o erro seria discutido para avaliação.
O grande responsável por tudo isso é o modelo de sistema que foi construído. Um sistema onde tudo esta aprisionado em tudo. Um exemplo como esse mostra os caminhos que o problema trilhou e o quanto ele foi sendo “traduzido”.
No intuito professoral de liderar, orientar ou ensinar, acabamos apenas “traduzindo” e fazendo com que os nossos liderados sejam poupados de entender o todo. Do ponto em que o presidente “precisava se locomover com velocidade ate o aeroporto” até o supervisor de garagem receber o recado que o “Zelito precisava se apresentar com urgência na presidência” houve uma seqüência de traduções que impediu a todos de contribuir para transportar o presidente. O problema foi sendo traduzido à medida em que descia a ladeira da hierarquia.
Todos deveriam compreender que o foco no problema seria o transporte do presidente. Transportar o presidente é um evento que pode ser desenvolvido de varias maneiras, Uma das opções pode ate ser o motorista da empresa.
Os nossos líderes, inadvertidamente se vêm fazendo papel de dubladores de subordinados ou programadores de humarionetes. Se eles se tocassem da desnecessariedade de traduzir problemas, este tipo de cenário seria outro. Esse presidente jamais dependeria do motorista sem ter desenvolvido pelo menos um “plano B”: poderiam deixar um táxi de sobreaviso, deixar outras pessoas de carro ligado, prontos para sair do local direto para o aeroporto, alugar um helicóptero, conseguir um jatinho, terminar a reunião mais cedo e continuar dentro do carro a caminho do aeroporto etc.
É preciso escalar os detalhes para poder observar o todo. É preciso conhecer os detalhes dos detalhes e os objetivos de cada ação. O mundo empresarial sofre mudanças. Se as pessoas identificarem e construírem seus futuros, o mundo muda. Se o seu mundo mudar, o resto do mundo muda.